Depois de anos de ligação política, o prefeito de Feira de Santana dá sinais claros de que o jogo mudou completamente. Mas será que essa aliança com o grupo do governador Jerônimo é definitiva?
Terça-feira, 20 de janeiro. Residência de Geddel Vieira Lima, em Salvador. O encontro entre o cacique do MDB baiano e o prefeito José Ronaldo (União Brasil) não passou despercebido. “Longa conversa”, escreveu o ex-ministro nas redes sociais. Mas afinal: o que realmente foi tratado ali? Mas afinal: o que realmente foi tratado ali? Será que já há um candidato definido para receber o apoio de Feira de Santana na sucessão estadual?
O nome de ACM Neto – pré-candidato à governatura pelo mesmo partido de Zé Ronaldo – paira no ar como uma sombra do passado. Afinal, quem não se lembra da decepção de 2018? Na época, o então prefeito de Salvador preferiu tirar de Zé Ronaldo o sonho de disputar senador ou vice-governador, deixando-o com uma vaga “folclórica e figurativa” de coordenador geral da campanha derrotada. Foi uma humilhação que quase custou sua liderança regional – e agora, com o poder em mãos, será que Ronaldo está buscando vingança política?
DO PASSADO FRIO AO PRESENTE QUENTE
Depois de superar aquele período “sombrio”, Zé Ronaldo conquistou seu quinto mandato como prefeito de Feira de Santana – e o jogo virou de ponta cabeça. Enquanto ACM Neto não foi um parceiro para ele, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) esteve ao seu lado nas horas mais difíceis do início turbulento da gestão estadual, com o orçamento herdado da gestão anterior. Jerônimo foi o parceiro que ACM nunca foi – mas será que essa proximidade já fecha o jogo para 2026?
Durante todo o ano de 2025, quando questionado sobre suas intenções para as eleições, o prefeito saía pela tangente: “Ano de gestão pública, só falaremos de política em 2026”, garantia. Agora o ano chegou – e as ações falam mais alto que as palavras. Se Zé Ronaldo estivesse mesmo pensando em apoiar ACM Neto, ele se ousaria a procurar Geddel Vieira Lima, um dos principais nomes do grupo que governa o Estado? A resposta parece estar clara na própria postura do prefeito.
A QUESTÃO QUE NÃO CALA
Feira de Santana é um dos municípios mais importantes da Bahia em termos de eleitorado. A votação ali pode definir equilíbrios regionais cruciais para a governatura. Com Zé Ronaldo abrindo mão de sua antiga ligação com ACM Neto, o pré-candidato perde uma peça fundamental? Ou ainda há margem para uma reviravolta?
E mais: Jerônimo Rodrigues pode contar de vez com o apoio de Feira de Santana? Ou será que essa conversa com Geddel é apenas uma forma de pressionar ACM Neto para melhores condições? O cenário político baiano só tende a ficar mais acirrado a cada dia – e a posição de Zé Ronaldo pode ser um dos pontos decisivos para quem levará o comando do Estado.
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