Com a chegada das chuvas, os agricultores familiares de Feira de Santana se enchem de esperança. A água no solo reacende o desejo de plantar, colher e garantir o sustento das famílias. No entanto, a realidade do campo é marcada pelo descaso do poder público, que transforma essa esperança em frustração.
As chamadas “cubas” (pequenas barragens para retenção de água) já estão cheias, mas a prefeitura ainda não disponibilizou as máquinas para preparo das terras, tampouco realizou a distribuição das sementes. Tradicionalmente, neste período, o governo municipal oferta tratores para aragem das terras, garantindo algumas horas de uso para os agricultores, além da entrega de sementes apropriadas para o plantio da estação. A falta acontece em todos os distritos de Feira de Santana.
Em 2025, porém, os produtores se sentem abandonados. Até a presente data, não houve qualquer ação concreta por parte da gestão municipal. Nenhum contato, nenhuma previsão. Enquanto isso, o tempo ideal para o plantio vai passando, e os agricultores assistem, impotentes, à janela agrícola se fechar.
Segundo a Embrapa, o calendário de plantio no Nordeste varia conforme a cultura e o regime de chuvas. Para culturas de sequeiro (sem irrigação), como milho e feijão, o ideal é iniciar o plantio entre os meses de março e maio, logo após as primeiras chuvas regulares, que garantem a umidade necessária no solo. O atraso na preparação das terras compromete diretamente o rendimento das lavouras e coloca em risco a segurança alimentar de centenas de famílias do campo.
É urgente que a prefeitura tome providências. O campo não pode esperar. A chuva chegou, mas sem o apoio necessário, o plantio não acontece — e o que deveria ser uma safra promissora, pode se transformar em mais uma temporada de perdas.





