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Cidadania feirense de quatro profissionais é celebrada em sessão regada a música e poesia

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Entre poemas, canções e testemunhos de compromisso com a educação, a cultura e a arte, quatro figuras memoráveis foram contempladas com a cidadania feirense pela Câmara Municipal, na noite desta segunda-feira (2). Uma sessão solene em que os hinos Nacional e de Feira de Santana ganharam o toque especial de uma Camerata, com o acompanhamento vocal de Denise Ferson, tudo impregnado de emoção porque, como sugere o poeta Ferreira Gullar, “a arte existe porque a vida não basta”. As homenagens foram iniciativa do vereador Professor Ivamberg (PT).

Histórias de superação, amor e compromisso social de pessoas que fizeram de Feira de Santana sua morada, comprometidas com o propósito de transformação social, conforme destacou o vereador, ao justificar as homenagens. “Celebramos hoje trajetórias de vidas que se entrelaçam de forma efetiva com a história de Feira de Santana”, destacou o vereador, ao apresentar o currículo de cada um dos novos cidadãos feirenses, que vieram dos mais diferentes lugares da Bahia, do Brasil e do mundo. “Feira é vocacionada para receber e acolher talentos”, disse.

“Nascida em Natal, potiguar de origem, soteropolitana por adoção e feirense de coração, uma mulher cuja vida é um poema de resistência, cuja atuação vai além dos muros da escola”. Assim ele definiu Claudia Gomes, professora, escritora, poeta, Mestra em Letras e Doutora em Educação, que conquistou não só a cidadania, como a Comenda Maria Quitéria. Sobre o também professor Eduardo Brito Correia, nascido em Salvador, Ivamberg destacou a referência em educação e transformação social, citando o Núcleo Neojibá como um de seus grandes projetos.

Matemático por formação, Eduardo Brito é diretor do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho. “Ele acredita que educação, cultura, esporte e solidariedade caminham juntos na construção de uma sociedade melhor”, afirmou o vereador. Das artes para a Matemática. Filho de lavradores, José Fábio de Araújo Lima saiu do roçado em Tanquinho, onde nasceu, para se tornar professor premiado e reconhecido no Brasil e no mundo. Seu trabalho o levou até Xangai, na China. “Mais do que números e equações, ele ensina esperança, ressaltou Ivamberg.

Também foi contemplado com a cidadania feirense o filho de Conceição da Feira, mas feirense d coração deste a década e 1950, e tem uma história vinculada aos movimentos estudantil, sindical e político da cidade: Osmar Pereira Ferreira. Fundador de associações e grêmios estudantis, bem como do Sindicato dos Bancários, carrega as marcas da resistência na luta pelos direitos da classe trabalhadora. “Foi perseguido, preso e demitido pela ditadura militar, pagando o preço por ousar sonhar com um país mais justo e democrático”, disse o vereador.

Um grande sucesso de Tom Jobim (Weve) foi apresentado em uma segunda participação da Camerata de Feira de Santana, seguida pela declamação de um poema para Claudia Gomes pela escritora e contadora de história Geovânia de Jesus, sobre Feira de Santana – origens, boiadas e figuras populares como Noratinho da Pamonha. Já a contadora de história Daniela Landin Baff declamou um poema para Eduardo Brito, pedindo licença para “mover palavras, ponte invisíveis que nos conectam ao essencial”, fazendo referência à atuação do professor.

“Quero um Brasil sem preconceito, por inteiro, harmonioso e feliz”, declamou a poeta Luma Eduarda Cerqueira Dias (para Claudia Gomes), enquanto a Banda Forfun, com os artistas João Pedro Silva, Gildo Sandro e Marcos Rocha se apresentaram no plenário. O ex-aluno Ícaro Brito Sena, um menino que falou como gente grande, fez um discurso em homenagem ao professor Eduardo Brito, que definiu como “um homem sempre disposto a apoiar e incentivar projetos que beneficiam o colégio e a comunidade, gestor e líder que sempre vê uma luz no fim do túnel, humano como nós”. E, para arrematar, a Banda Marcial do Colégio Luiz Viana Filho fez uma apresentação na área externa da Casa da Cidadania.

Testemunhos de vida e histórias de amor por Feira de Santana

“Eu sou o que sou por aquilo que os outros colocam em mim”. Com esta afirmação, o professor Eduardo Brito Correia agradeceu e dividiu com familiares, colegas e amigos a homenagem recebida. Ao lado do Frei Cristóvão, na tribuna, ele atribuiu à poesia o fato es estar sadio e afirmou ser o fruto do que a sua mãe é. Citou o filho João Pedro e as filhas Maria Teresa e Maria Eduarda e a mulher Virgínia, pelas vivências e falou da própria trajetória e destacou a experiência com o Instituto Antônio Gasparini, “pela proposta de transformar vidas”, o Neojibá e Camerata.

Agradecimento e emoção marcaram o pronunciamento de Osmar Pereira Ferreira, por estar “nascendo de direito” na cidade em que vive desde a década de 1950, quando veio para estudar no Colégio Estadual, onde hoje funciona o CUCA. A greve dos estudantes em apoio à paralisação dos caminhoneiros, foi uma das primeiras participações no movimento político. Ele se emocionou ao falar da prisão pela ditadura militar, dentro do Banco da Bahia. “Saí algemado”, contou, lembrando a morte do amigo Otoniel Queiroz, aos 21 anos.

“Tínhamos tudo para dar errado”. Essa era a realidade de José Fábio de Araújo Lima na pequena cidade de Tanquinho, que fez da superação a bússola de sua vida. Durante dois anos, ia para escola era um pau de arara. “Era a única forma de estudar, nossa única chance de mudar a realidade e buscar sonhos”, contou. Apaixonado por Matemática, no primeiro vestibular (na UEFS) foi eliminado em Redação. Ainda na ativa, como professor, se tornou destaque nas Olimpíadas de Matemática e tem no currículo, além de prêmios, o desafio da pandemia de Covid-19. “, disse.

Guiada pela Literatura. Foi assim que a professora de Língua Portuguesa, escritora e poeta potiguar construiu a sua vida em Feira de Santana. “Subo a esta tribuna para receber duas honrarias que carregam história e afeto”, afirmou, contando que fincou raízes em terras feirenses, porque encontrou “solo fértil para a poesia e força para mover sonhos”. Em seu discurso de agradecimento, ela citou os professores Josué Mello e Lélia Fernandes e se comprometeu: “Mais do que um prêmio é um chamado para continuar semeando humanidade”. Citando Maria Quitéria, “símbolo da defesa da liberdade, dedicou a homenagem a todas as mulheres, principalmente educadoras que ensinam com a alma.

ASCOM

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