A sessão ordinária da Câmara Municipal de Feira de Santana, realizada na última quarta-feira (27), foi marcada por um discurso polêmico do vereador Ismael Bastos (PL). O parlamentar resgatou um trecho de pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual o petista citou uma fotografia que mostrava uma mulher branca e um homem negro sem dentes (“banguelo”).
No dia seguinte, quinta-feira (28), o ex-vereador Emerson Minho (PP) levou a provocação para as redes sociais, assumindo o protagonismo do embate político. Em defesa de Lula, Minho rebateu as declarações de Ismael e foi além: acusou o vereador de racismo.
Segundo o parlamentar, a fala do presidente foi carregada de preconceito e racismo. Mas, para surpresa de muitos, Ismael encontrou rapidamente um adversário à altura. O ex-vereador Emerson Minho (PP), conhecido por não economizar nas palavras, assumiu o protagonismo do debate, partiu em defesa de Lula — ao mesmo tempo em que disparou contra Ismael.
Minho foi categórico: para ele, não há nada de racismo nas palavras de Lula. Pelo contrário, quem teria deixado transparecer preconceito foi o próprio vereador feirense.
“Independentemente do lado político, a fala do vereador está carregada de racismo velado. A revista mostra uma mulher branca, toda arrumada, ao lado de umas hortaliças, mas por que o negro tem que sair sem dente, desarrumado? Será que essa foto representa os negros?”, questionou o ex-vereador.
A crítica de Minho não parou aí. Ele rebateu diretamente as palavras de Ismael Bastos, que durante seu discurso teria usado a expressão “vocês que são negros”.
“O vereador fala como se fosse branco. Essa cultura de humilhar o negro está na fala dele. Para ele, é normal publicar um negro sem dente, como se essa fosse a representação natural. Esse é o verdadeiro problema”, provocou Minho.
No encerramento, Emerson Minho lançou uma reflexão afiada, pedindo mais seriedade diante do que classificou como “sensacionalismo barato”:
“Essa é apenas uma reflexão para pararmos e analisarmos o que está por trás desse discurso, porque o sensacionalismo não constrói nada de bom”, finalizou.
O embate revelou não apenas divergências políticas, mas também a forma como a questão racial ainda é tratada — ou distorcida — no cenário local. Ao que tudo indica, Ismael Bastos encontrou um “tope” do seu tamanho para enfrentar.





