Feira de Santana vive um paradoxo urbano cada vez mais evidente: enquanto a cidade cresce, inaugura novos empreendimentos e amplia avenidas, muitos cidadãos continuam sendo deixados de fora — literalmente.
Um exemplo recente dessa triste realidade vem da Avenida Ayrton Senna, entre os bairros Mangabeira e Alto do Papagaio, onde foi inaugurado o Atacadão Atacrejo. O espaço, que chegou prometendo modernidade e conveniência, tem sido alvo de críticas por parte de pessoas com deficiência devido à falta de acessibilidade básica.
“É inacreditável como nos deixam de fora! Então eu não posso fazer compras no Atacadão porque não há como atravessar a avenida por falta de rampas. Eles fecharam o retorno e colocaram barreiras, o que impede que eu tenha acesso”, lamentou uma cadeirante, indignada com a situação.
O relato escancara um problema que vai além de um simples descuido técnico: é a ausência de sensibilidade e respeito com a inclusão. No canteiro central e nas calçadas — tanto do lado esquerdo quanto do direito — não há rampas de acesso, o que torna impossível a travessia segura para pessoas com mobilidade reduzida.
A deficiência não está nas pernas de quem tenta atravessar, mas nas decisões de quem projeta e executa obras públicas sem considerar todos os cidadãos. Em pleno século XXI, quando a acessibilidade deveria ser uma exigência mínima, Feira de Santana ainda parece tropeçar nas suas próprias calçadas.
O caso reacende um debate urgente: quem fiscaliza o cumprimento das normas de acessibilidade? Onde está o olhar humano dos gestores, engenheiros e responsáveis pelas obras que deveriam atender a toda a população, e não apenas parte dela?
Mais do que rampas e retornos, o que falta é empatia — algo que não se constrói com cimento, mas com consciência.





