A Micareta de Feira de Santana, uma das maiores e mais tradicionais festas populares do Brasil, não será mais realizada no mês de abril. A partir de 2026, a folia fora de época que consagrou a cidade como “a capital da micareta” passa a acontecer em novembro. O anúncio foi feito nesta terça-feira (30) pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho e pelo secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano Lôbo, em coletiva de imprensa na sede da prefeitura.
A justificativa oficial para a mudança é evitar os transtornos provocados pelas chuvas no período de abril e garantir um tempo maior para a organização do evento. No entanto, a decisão representa, para muitos, o fim de uma tradição centenária e da identidade cultural de Feira de Santana.
Desde sua origem, em 1937, a Micareta se consolidou como símbolo do povo feirense, reunindo gerações nas ruas para celebrar a alegria, a música e a liberdade. Ao longo das décadas, a festa se transformou em referência nacional, atraindo milhares de turistas e movimentando a economia local, sempre com a marca inconfundível de ser o “carnaval fora de época” que abre o calendário do Brasil.
Agora, com a transferência para novembro, críticos apontam que a essência da Micareta se perde. “Abril e Micareta eram sinônimos. Mudar a data é apagar parte da nossa história e da nossa memória coletiva. É uma decisão que não leva em conta o sentimento do povo”, afirmou um produtor cultural.
A decisão foi tomada sem ampla participação popular e, para muitos, soa como um decreto simbólico de morte de uma das maiores manifestações culturais da Bahia. “Ao mudar o mês, a prefeitura não está apenas reorganizando o calendário. Está sepultando um legado de quase 90 anos”, lamentou uma foliã veterana.
Os dias exatos da festa em novembro ainda serão definidos em uma reunião marcada para a próxima terça-feira (7), com a presença de artistas e representantes da sociedade civil. Até lá, o clima entre foliões e defensores da tradição é de indignação e luto cultural.
A Micareta de abril, que “sacudia o Brasil” e colocava Feira de Santana no mapa da folia nacional, chega ao fim. E com ela, morre um pedaço da alma de uma cidade que sempre viveu a festa como parte do seu próprio coração.





