Circulou na tarde desta segunda-feira (13) uma carta aberta escrita por funcionários da empresa INSV, responsável por prestar serviços à Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. O documento, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais e grupos de servidores, é um verdadeiro grito de socorro.
Os trabalhadores denunciam nove meses de atraso no pagamento do vale-refeição, além de atrasos no vale-transporte e no salário. Segundo a carta, também há irregularidades graves, como o não recolhimento do FGTS, um direito trabalhista básico que vem sendo ignorado pela empresa e negligenciado pelo poder público municipal.
Na carta, os funcionários afirmam que já procuraram todos os meios legais possíveis. Um processo administrativo foi aberto na Ouvidoria do Município, onde as irregularidades foram confirmadas. Mas, mesmo com as provas em mãos, nenhuma medida concreta foi tomada até agora.
Enquanto isso, os trabalhadores seguem sofrendo. Muitos já não têm condições de colocar comida na mesa. O desespero é tamanho que alguns relatam depender da ajuda de vizinhos e familiares para sobreviver. “Trabalhamos com dedicação e amor à população, mas a cada dia que passa é mais difícil seguir com a dignidade ferida”, diz um dos trechos do documento.
E a pergunta que ecoa é inevitável:
Onde estão o prefeito José Ronaldo e o vice-prefeito?
Será que não se sensibilizam com o sofrimento de quem, há poucos meses, caminhou nas ruas, vestiu a camisa e acreditou nas promessas de campanha?
Será que os mesmos trabalhadores que ajudaram a elegê-los agora valem tão pouco que nem merecem uma fiscalização decente sobre as empresas contratadas?
A situação é vergonhosa e revela o descaso de uma gestão que parece se importar mais com discursos e inaugurações do que com as pessoas que mantêm o serviço público funcionando.
Enquanto o poder público fecha os olhos, homens e mulheres seguem cumprindo suas funções com o estômago vazio, o bolso vazio e o coração cheio de indignação.
Feira de Santana assiste, mais uma vez, a um capítulo doloroso de abandono e desrespeito aos trabalhadores terceirizados — aqueles que, na prática, sustentam os serviços que a cidade tanto precisa, mas que parecem invisíveis aos olhos de quem deveria defendê-los.





