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Portas fechadas: Hospital “Ronaldão” não deve resolver crise de emergência em Feira de Santana

4 Min Leitura

O anúncio do prefeito José Ronaldo de Carvalho de que o futuro Hospital Geral Municipal — já apelidado nos bastidores políticos de “Hospital Ronaldão” — será uma unidade de portas fechadas caiu como um balde de água fria sobre milhares de feirenses que aguardavam uma solução concreta para o caos no atendimento de urgência e emergência na cidade.

A expectativa popular era simples: um hospital municipal que também ajudasse a desafogar as UPAs e policlínicas, hoje pressionadas por uma demanda crescente. No entanto, ao confirmar que a unidade não atenderá diretamente casos de urgência e emergência, o prefeito frustrou uma das principais esperanças da população.

Filas devem continuar

Basta uma rápida visita às unidades de saúde espalhadas por Feira de Santana para compreender a dimensão do problema. Pacientes aguardam por horas — às vezes por um dia inteiro — em busca de atendimento emergencial.

A superlotação nas UPAs tornou-se rotina e, com o novo hospital funcionando apenas por regulação, especialistas e lideranças comunitárias já alertam: as filas nas portas das unidades de saúde devem continuar. Ou seja, o equipamento que poderia representar um alívio imediato para o sistema pode acabar funcionando apenas como mais uma etapa burocrática no já lento processo de atendimento.

O paradoxo da “fila da morte”

Outro ponto que chama atenção é o silêncio da Prefeitura sobre como será, na prática, o acesso da população ao hospital.

Se será de portas fechadas, o acesso dependerá do sistema de regulação — o mesmo modelo frequentemente criticado por políticos e profissionais da saúde.

Curiosamente, o próprio grupo político do prefeito já classificou esse mecanismo como “fila da morte”, em referência à demora na liberação de vagas hospitalares.

Agora, tudo indica que a gestão municipal terá que aderir exatamente ao sistema que antes criticava, reforçando a dependência da regulação para que pacientes consigam uma vaga.

A conta política do hospital

Durante o anúncio do projeto, José Ronaldo de Carvalho também afirmou que o município não terá condições de manter sozinho um hospital do porte planejado. Segundo ele, será necessária a participação conjunta da prefeitura, do governo estadual e da União.

Na prática, isso significa que o funcionamento pleno do hospital dependerá de articulação política entre três esferas de poder: o prefeito o governador Jerônimo Rodrigues e o presidente da República.

E na política, como diz o velho ditado: “recebe mais quem dá mais.”
Nos bastidores, a leitura já começa a circular entre analistas políticos: o hospital pode acabar se tornando um elemento de aproximação política entre Ronaldo e o governador Jerônimo.

Se isso se confirmar, o “Ronaldão” pode nascer não apenas como um equipamento de saúde — mas também como uma peça estratégica no tabuleiro político baiano.

Entre a esperança e a frustração

Enquanto o debate político esquenta, a população continua lidando com a realidade nas filas das unidades de saúde.

O hospital que prometia ser um marco para a saúde municipal já nasce cercado de dúvidas: Vai realmente aliviar o sistema? Ou será apenas mais um hospital dependente da lenta engrenagem da regulação?

Por enquanto, a única certeza é que a crise da emergência em Feira de Santana ainda está longe de acabar.

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