A Prefeitura de Feira de Santana está de olho em mais um empréstimo milionário. Após a aprovação, em dezembro de 2024, de um crédito de 54 milhões de dólares (cerca de R$ 300 milhões) junto ao FONPLATA, o atual prefeito José Ronaldo (União Brasil) quer agora mais R$ 200 milhões. Se a Câmara Municipal aprovar, a gestão municipal terá meio milhão de reais para gastar. Mas a pergunta que fica é: quem vai pagar essa conta no futuro?
O novo projeto de empréstimo foi apresentado pelo governo municipal à Câmara na última quarta-feira (12) e lido no expediente na sessão de quinta-feira. Agora, ele seguirá para análise das comissões, especialmente de Finanças e Orçamento. Se aprovado, os cofres públicos terão um rombo ainda maior com dívidas que podem comprometer gerações futuras.
Obras ou divisão sem controle?
Segundo a justificativa oficial, o dinheiro será utilizado para financiar obras estruturantes. Entre os projetos listados estão a extensão da avenida Fraga Maia até a BR-116 Norte, a requalificação da avenida Tomé de Souza e a duplicação da avenida Artêmia Pires. Para a zona rural, o governo promete recuperar estradas precárias, como as vias de acesso ao Carro Quebrado e ao Ovo da Ema, além da requalificação de sete rotas vicinais e da estrada do Besouro.
Outro argumento usado pelo secretário de Planejamento, Carlos Brito, é a necessidade de investimentos em macrodrenagem para evitar enchentes. A Prefeitura pretende implantar um sistema de monitoramento para alertar a população sobre possíveis inundações. Mas será que isso justifica mais R$ 200 milhões em dívidas?
A Câmara vai dar um cheque em branco ao prefeito?
A grande questão agora é saber como a Câmara Municipal vai se posicionar. Em dezembro, os vereadores aprovaram sem resistência o primeiro empréstimo de R$ 300 milhões, quando o prefeito ainda era Colbert Martins (MDB). Agora, com José Ronaldo no comando, a história se repetirá?
Se os vereadores derem o aval para esse novo crédito, a Prefeitura terá um total de R$ 500 milhões para gastar. Mas, no final das contas, quem vai arcar com essa dívida é a população feirense. Afinal, quando a conta chegar, o governo atual ainda terá poder ou sobrará para a próxima gestão?
Com meio bilhão em jogo, resta saber se a Câmara vai agir com responsabilidade ou se mais uma vez será conivente com um endividamento histórico da cidade.





