Em Feira de Santana, a política parece andar de mãos dadas com o mundo dos mistérios há mais de três décadas. Três prefeitos distintos, mandatos consecutivos e histórias que misturam alvoroços institucionais, rituais tradicionais e lendas que correm pelas ruas e nos bastidores da Prefeitura Municipal.

Clailton Mascarenhas: O bode preto e o impeachment evitado
No governo de Clailton Mascarenhas, a cidade ficou parada com escândalo que envolviam um ritual de bozó realizado com um bode preto. Na época, rumores corriam nos corredores da Câmara Municipal de que o cerimonial teria sido feito para impedir que o processo de impeachment contra o prefeito avançasse.
O bozó, prática ligada a tradições afro-brasileiras e ao candomblé, é conhecido como um tipo de oferenda ou trabalho espiritual para equilibrar energias ou alcançar objetivos específicos. Embora nunca tenha havido confirmação oficial do ritual, a informação se espalhou rapidamente entre servidores e políticos, e curiosamente, o impeachment não chegou a ser votado. Muitos associaram o desfecho do processo aos rumores do bode preto que, segundo alguns, seria sacrificado em local reservado, com oferendas. O valor da macumba chamava a atenção.

Colbert Martins: A galinha preta que escapava de todos e a lavagem das escadarias
Na gestão de Colbert Martins, o mistério ganhou novas proporções quando uma galinha preta apareceu de repente na entrada principal da Prefeitura. Testemunhas dizem que a ave não permitia que ninguém a pegasse – mesmo que tentativas fossem feitas por funcionários e até por pessoas da segurança. A galinha, considerada em diversas tradições como um símbolo de proteção ou aviso, ficou por horas no local antes de desaparecer misteriosamente.
Logo depois, a lenda se alastrou: a ave teria sido um sinal de que a Casa estava “contaminada” por energias negativas. Foi quando um grupo formado por funcionários terceirizados e de carreira resolveu realizar uma limpeza espiritual nas escadarias da Prefeitura.

O ritual consistia em lavar os degraus com água mineral e depois ungí-los com óleo especial, utilizado em práticas de umbanda, candomblé e evangélica para afastar espíritos ruins e atrair paz para o local.

José Ronaldo: O bruxo, o trabalho de vudu e a dívida não quitada
O atual prefeito, José Ronaldo, não ficou de fora dos enigmas. Um pai de santo que se intitula bruxo e afirma trabalhar com bruxaria (e não com feitiçaria, como ele mesmo destaca) declarou em diversas oportunidades ter sido contatado por Ronaldo quando este ainda era candidato. A missão: realizar um trabalho de vodu para garantir a vitória em uma questão judicial que poderia comprometer sua candidatura.
Segundo o religioso, o ritual foi feito seguindo preceitos do vudu, tradição africana que mistura crenças espirituais e práticas rituais. O resultado foi positivo: o prefeito ganhou o processo. Agora, o bruxo afirma que ainda não recebeu o pagamento combinado pelo serviço, e a notícia gerou polêmica sobre a influência de práticas espirituais na política local.
Apesar de as histórias serem tratadas como lendas por parte das administrações envolvidas, elas fazem parte do imaginário de Feira de Santana, onde a cultura popular e as tradições afro-brasileiras têm forte presença. Muitos moradores questionam se se trata apenas de coincidências ou se há realmente uma ligação entre o poder público e o mundo do misticismo na cidade.
Você já ouviu falar de outras histórias sobrenaturais ligadas à política em sua região?





