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“Não volto atrás não!”: O drama de Cristovaldo, a liderança que escolheu a gratidão sobre a pressão em Feira de Santana

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Na região da Pampalona, Asa Branca, Sítio Novo e Campo do Gado, o nome de Cristovaldo de Jesus ressoa como um símbolo de luta comunitária. Por anos, ele caminhou pelas ruas, reuniu lideranças e trabalhou construindo pontes (políticas) — inclusive na campanha de 2024 que levou José Ronaldo ao cargo de prefeito de Feira de Santana. Hoje, porém, essa mesma figura que ajudou a erguer o governo municipal vive um drama que mistura desilusão, gratidão e uma determinação que não cede diante da pressão.

A reviravolta veio quando Cristovaldo declarou seu firme apoio a João de Furão (deputado estadual) e Diego Coronel (deputado federal). Uma decisão que, ao contrário do que muitos esperavam, não tem nada a ver com traição — e tudo a ver com o que ele chama de “valorização verdadeira”.

“Durante a campanha, eles vinham em minha casa, me pegavam e saía no carro com eles, visitando lideranças políticas e empresariais”, lembra, com voz abalada, em conversa com o site Rota da Informação. O esforço foi grande, mas o reconhecimento nunca chegou. “Depois das eleições, fui disprezado. Ninguém me deu um telefonema, ninguém estendeu a mão. Passei necessidade, adoeci, minha esposa também. Passamos por muita dificuldade.”

Foi naquela hora de desespero que chegou a mão que mudou tudo: a de Targino Machado. “Ele me valorizou, me ajudou. Esse é meu verdadeiro amigo na política”, revela, com um tom de gratidão que ofusca a dor do passado. É essa gratidão que sustenta sua decisão — e que faz com que ele repita, com enfase: “Minha decisão é irreversível. Não volto atrás não!”

Quanto a apoiar candidatos alinhados ao governo porque ele tem um cargo de DA 6 de um salário mínimo, ele diz ” Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Me doei para construir o governo, trabalharei muito varão, mas não sou valorizado. O cargo é pelo trabalho que fiz, apoio a deputados é outra coisa!”

Mas a posição de Cristovaldo não passou despercebida. Desde que ele se alinhou a Furão e Coronel, muitas vozes ligadas ao governo municipal começaram a fazer pressão. Pré-candidatos do grupo do prefeito buscavam contato, tentando convencê-lo a abandonar seus apoiados e retornar à “família” que, segundo ele, o abandonou em seu momento mais difícil. A pressão é constante, mas a determinação do líder comunitário não vacila.

Para Cristovaldo, a escolha é clara: é melhor ficar com quem esteve ali na hora da necessidade do que voltar para quem só lembrou dele quando precisava de suas mãos para construir o poder. E enquanto a política de Feira de Santana se prepara para as eleições, ele segue firme, caminhando pelas mesmas ruas que sempre caminhou — agora, com um propósito que vai além de partidos: o de honrar a gratidão e defender o que ele considera justo.

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