Funcionária do CRAS da Conceição, que dedica vida a apoiar famílias, precisa de vaga em hospital estadual; UPAs não têm condições de manter pacientes por mais de 24 horas
A servidora pública Claudia Vieira da Rocha, 59 anos, que atua no CRAS da Conceição há anos e é conhecida por seu trabalho de apoio a famílias da região, passa por um momento de fragilidade de saúde e aguarda regulação para ser transferida para um hospital estadual. A paciente, diagnosticada com suspeita de pancreatite aguda, está na UPA Elisabeth Dias Marques (UPA da Queimadinha) desde o dia 9 de janeiro, mas a unidade não dispõe de recursos para manter internações prolongadas.
A situação mobilizou a comunidade da Conceição, que faz pedidos de socorro nas redes sociais e cobra soluções rápidas para a servidora, considerada uma referência no trabalho com famílias em vulnerabilidade social. Além disso, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, vereador Luiz Augusto de Jesus, já cobrou postura do secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, sobre o caso.
“Não podemos deixar uma profissional que dedica sua vida a ajudar os outros à mercê da superlotação das nossas UPAs. Elas não foram projetadas para manter pacientes internados por mais de 24 horas — é preciso que haja uma resposta rápida do secretário e que a regulação seja feita o mais breve possível”, afirmou o parlamentar.
PACIENTE CHEGOU À UPA COM DOR ABDOMINAL E LIPASE ELEVADA
De acordo com o relatório médico da paciente (código 4735306), Claudia chegou à unidade no dia 9 de janeiro com queixa de dor na região epigástrica, náuseas e arrotos há 15 dias, evoluindo para dor intensa e vômitos nos dois dias anteriores. Ao exame, não apresentava febre, diarreia ou sinais de icterícia.
Os exames laboratoriais realizados no dia 10 de janeiro mostraram valores elevados de amilase (594) e lipase (3472) — indicativos de problema pancreático. O ultrassom abdominal realizado na mesma data não identificou cálculos na vesícula biliar nem alterações nas vias biliares, mas a hipótese inicial é de pancreatite aguda litiasica ou pancreatite aguda leve.
A paciente é fumante há 45 anos (um maço por dia), mas deixou o vício há 10 dias. Ela não tem alergias, comorbidades prévias, não consome álcool e não faz uso regular de medicamentos.
PIORA POSTERIOR
Nos primeiros dias de internação, Claudia manteve-se estável hemodinamicamente, com melhora das náuseas e vômitos, mas mantinha dor abdominal discreta na região epigástrica. A conduta inicial previa hidratação intravenosa, dieta zero, analgesia e acompanhamento clínico.
No dia 11 de janeiro, entretanto, houve piora da dor abdominal, mesmo com analgesia otimizada, e surgimento de distensão abdominal. Novos exames mostraram queda dos níveis de amilase (302) e lipase (1621), mas a paciente continuava com desconforto.
Na manhã deste dia 12, a situação se agravou: a equipe de enfermagem acionou a médica da sala vermelha após a paciente apresentar pressão arterial inaudível, piora significativa da distensão e dor abdominais, além de palpação de globo vesical hiperdistendido. Após expansão volêmica, a pressão se estabilizou (130×80 mmHg), mas a sondagem vesical de alívio mostrou pequeno volume de urina, descartando retenção urinária como causa da distensão.
O relatório registra ainda presença de escarro com secreção borracea e indica que a paciente está em “curva de piora acentuada”, necessitando de vaga de UTI. O ECG realizado hoje mostrou taquicardia sinusal e progressão lenta da onda R nas derivações V4 a V6.
SOLICITAÇÃO DE REGULAÇÃO FOI FEITA, MAS PACIENTE AINDA NÃO FOI TRANSFERIDA
A solicitação de auxílio da Central Estadual de Regulação (CER) para encaminhamento a uma unidade com capacidade de atendimento especializado foi feita no dia 11 de janeiro, às 13h36, e novamente hoje, às 05h06, para avaliação de cirurgia geral. No entanto, a paciente ainda não foi transferida, pois a unidade não solicitou ambulância da CER.
A Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciou oficialmente sobre o caso até o fechamento desta reportagem.





