Após cinco mandatos à frente da Prefeitura de Feira de Santana, o nome de José Ronaldo já se confunde com a própria história administrativa da cidade. Mas, para os moradores da Rua Nanuque, no bairro Caseb, essa longa trajetória política ainda não foi suficiente para garantir o básico: dignidade.
Quem passa pela Rua Nanuque encontra um cenário que se repete ano após ano — buracos que parecem crateras, lama que se espalha nos períodos chuvosos, mato alto tomando conta das calçadas e lixo acumulado em diversos pontos. Para quem vive ali, não é apenas uma questão estética. É uma questão de sobrevivência e respeito.
Já se foram quatro mandatos completos e mais de um ano do quinto. Ao todo, décadas de gestão municipal se passaram sem que a realidade da rua fosse transformada. O que mudou, segundo os moradores, foi apenas o nível do desespero.
“Quando chove, a gente não sai de casa. É lama pra todo lado. Quando faz sol, é poeira e mau cheiro”, relata uma moradora que vive na via há mais de 30 anos. O problema, no entanto, vai além da infraestrutura precária. O acúmulo de lixo e o mato têm favorecido a proliferação de escorpiões, ratos, baratas e outros insetos que invadem as residências, colocando em risco principalmente crianças e idosos.
As promessas, por outro lado, foram muitas.
No dia 16 de novembro de 2025, o vereador Josivaldo Santana anunciou que a Rua Nanuque seria asfaltada. Pouco depois, em 5 de dezembro de 2025, o próprio prefeito esteve no bairro e declarou que todas as ruas do Caseb receberiam pavimentação asfáltica. O anúncio reacendeu a esperança de quem já estava cansado de esperar.
Mas o terceiro mês de 2026 chegou — e nada aconteceu.
Sem máquinas, sem obras, sem explicações. Apenas o silêncio e a continuidade do abandono.
Para os moradores, a pergunta que ecoa não é apenas sobre asfalto. É sobre prioridade. É sobre o direito de viver com dignidade em uma cidade que cresce, se moderniza e anuncia investimentos, enquanto comunidades inteiras seguem esquecidas.
Até quando os moradores da Rua Nanuque precisarão implorar por algo tão básico quanto uma rua pavimentada e segura?
Enquanto a resposta não vem, a lama continua. O mato cresce. O lixo se acumula. E a esperança, mais uma vez, corre o risco de ser soterrada pelos buracos da própria história política de Feira de Santana.















