Alguns dizem que ter amigos é tudo, que é poder contar com alguém a qualquer hora e em qualquer situação, um irmão que não é de sangue. O fato é que a amizade tem um papel importante em todas as fases da vida, inclusive para o nosso desenvolvimento psíquico e social.
A coordenadora do curso de Psicologia da Estácio Feira de Santana, Áquila Thalita, destaca que somos seres sociais e que estamos o tempo inteiro nos relacionando uns entre os outros.
“Somos correlacionados uns aos outros através de afetos e esses afetos podem ser construídos através da amizade. As amizades formam uma rede social, uma rede de apoio e ela escreve muita coisa na nossa subjetividade também. Então do ponto de vista psíquico, é imprescindível que a gente possa criar laços de amizade para que se exista, por esse lado subjetivo, certa maturidade em relação as nossas convivências humanas e, socialmente falando, também acaba acarretando ao nosso lado e assegura como aprendemos a compartilhar essas relações humanas”, afirmou.
E como toda relação social, as amizades também sofreram impactos durante todo o processo pandêmico que ainda estamos passando. A psicóloga lembra que o isolamento social afastou muitas pessoas, mas também, aproximou algumas relações, mesmo que isso pareça contraditório.
“Com o isolamento social muitas pessoas revisitaram essas relações de amizade, também criaram novas amizades, afinal essa questão da acessibilidade com a rede social na internet, da possibilidade de estar em contato com outras pessoas através de videoconferência, por exemplo, fez com que as pessoas conhecessem as outras de maneira não tão clássica. Então acredito que podemos tirar lições sobre as relações de amizade, com todo esse processo que estamos vivendo”, avaliou.
Há quem diga que as amizades que sobreviveram firmes e fortes após o período de pandemia, são amizades para uma vida inteira. Mas será que há receita para manter os laços de amizade de forma saudável e duradoura? Áquila analisa que é importante entender quais são as suas condições e as do outro quando estamos imersos em uma amizade.
“É importante analisar quais são as condições que você coloca para impor seus limites numa relação de amizade, quais são as condições que você tem para aproveitar essa amizade, pois é importante ter uma noção das coisas que você agrega em relação a esse processo de relacionar-se, que é um processo de relação muito afetivo que envolve outras relações humanas também”, destacou.
A psicóloga destaca ainda que a amizade é uma relação de afeto, na maioria das vezes, bem intensa em que há compartilhamento de coisas boas e ruins e quando encontramos em alguém uma pessoa amiga, se compartilha muito das nossas fraquezas. Diante de tudo isso, Áquila afirma que talvez seja indiscutível que as pessoas deixem de estar fazendo laços sociais com as outras, mesmo que minimamente, e que isso possa se tornar ou não uma amizade.
A coordenadora do curso de psicologia da Estácio diz ainda que ter poucos laços de amizade, pode se caracterizar algo mais relacionado a questão de características de personalidade de cada pessoa. Mas como canta a música: é impossível ser feliz sozinho.
Ascom





