Na manhã desta sexta-feira (17), o debate sobre independência financeira e direitos das mulheres ganhou um novo impulso em Feira de Santana. Moradoras do bairro Conceição II participaram de uma roda de conversa que colocou em evidência a violência patrimonial — uma forma silenciosa de agressão que ainda é pouco discutida, mas que impacta diretamente a liberdade e a dignidade feminina.
Realizado na Associação de Moradores da Conceição II, o encontro reuniu representantes da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, estudantes de Direito da Faculdade Unex e lideranças comunitárias, em uma iniciativa marcada pelo diálogo, acolhimento e conscientização. A ação integrou o projeto Interpessoal: Ética, Direito e Cidadania, conduzido pelos universitários, que levaram informação e orientação jurídica às participantes.
Um dos pontos altos do evento foi o papel decisivo da liderança comunitária. O presidente da Associação de Moradores da Conceição II e adjacências e do Instituto de Mulheres Maria Luiza Raimundão, suplente de vereador, teve atuação fundamental ao abrir as portas da entidade e mobilizar as mulheres da comunidade para participarem da atividade.
Presidente da Associação
Ao site Rota da Informação ele ressaltou a importância de iniciativas como essa para o fortalecimento das mulheres.
“Estaremos sempre de portas abertas para entidades e instituições que promovam melhorias e conscientização para as mulheres. As palestras são bem-vindas, mas é fundamental também implementar ações concretas que deem continuidade ao que é discutido aqui”, destacou Raimundão, ao convidar a secretária Aldiney Bastos a ampliar as ações práticas na comunidade.
Com o tema “Violência Contra a Mulher e Dependência Financeira”, a roda de conversa abordou situações em que mulheres têm seus recursos controlados, são impedidas de trabalhar ou de tomar decisões sobre o próprio dinheiro — práticas que configuram violência patrimonial e contribuem para a manutenção de ciclos de abuso.
A diretora da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Josailma Ferreira, enfatizou a necessidade de dar visibilidade a esse tipo de violência.
“Essa violência não aparece no corpo, mas deixa marcas silenciosas, ferindo a autoestima e limitando a liberdade das mulheres. Nosso papel é transformar a escuta em ação, fortalecer políticas públicas e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha”, afirmou.
A iniciativa reforçou a importância da informação como ferramenta de emancipação, mostrando que o acesso ao conhecimento pode ser decisivo para romper barreiras e promover autonomia. O espaço também funcionou como um ponto de apoio, onde as participantes puderam compartilhar experiências, tirar dúvidas e buscar orientação.
A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres reafirmou o compromisso da gestão em ampliar o acesso a direitos fundamentais, como trabalho, educação e autonomia financeira. A proposta é seguir fortalecendo ações que garantam voz, dignidade e oportunidades para todas.
“Mais do que sobreviver, as mulheres merecem viver plenamente, com autonomia, respeito e independência”, reforçou a secretária da pasta, Neinha Bastos.
A ação na Conceição II deixa um recado claro: quando comunidade, poder público e instituições caminham juntos, o impacto vai além da informação — ele se transforma em mobilização, consciência e mudança real na vida das mulheres.







