Na última sexta-feira (13), a imprensa de Feira de Santana viveu uma situação que beirou o vexame. Um verdadeiro desencontro de informações sobre o lançamento da exposição junina no Casarão dos Olhos D’Água expôs, mais uma vez, a falta de alinhamento entre as secretarias municipais – e deixou jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas à deriva, à espera de um evento que simplesmente não aconteceu como prometido.
Quem mentiu? De onde partiu o ruído?
Segundo a convocação enviada à imprensa, o prefeito José Ronaldo e o secretário de Cultura, Cristiano Lôbo, estariam presentes no Casarão às 8h da manhã para a abertura oficial da exposição “Arraiá de Cores e Tradição: Uma celebração histórica e cultural”. Mais do que isso: os profissionais de comunicação foram orientados a comparecer uma hora antes, às 7h, para garantir a cobertura completa.
Mas há um detalhe básico que qualquer pessoa minimamente informada sobre o funcionamento do equipamento cultural deveria saber: o Casarão dos Olhos D’Água só abre às 8h. Quem marcou para as 7h, claramente, não se atentou a isso.
Além disso, a própria Secretaria de Comunicação Social (Secom) já havia publicado, um dia antes, uma matéria oficial informando que o evento começaria às 9h. Como, então, a orientação para a imprensa foi tão diferente? De onde partiu o erro? Quem passou a informação errada para a Secom? E mais: quem garantiu que o prefeito e o secretário estariam presentes?
Prefeito e secretário ausentes. Só a Secom foi ao sacrifício
Na hora marcada, nem prefeito, nem secretário de Cultura. Nem sequer os artistas expositores deram as caras no início da manhã. Coube às funcionárias Jucy e Cíntia, que trabalham no Casarão, _que também não sabiam que a imprensa estria presente_ salvar o mínimo de informação para os repórteres que já estavam ali, desde antes das 7h, aguardando as “autoridades” anunciadas.
Das figuras de governo, apenas o secretário de Comunicação Social, Joilton Freitas, apareceu para recepcionar a imprensa, porém também parecia surpreso com o constrangimento. Mas o estrago já estava feito.
Uma exposição bonita, um anúncio desastroso
A exposição em si – que segue aberta até o dia 6 de julho – é uma bonita homenagem às tradições dos festejos juninos. Reúne obras em óleo sobre tela, pintura em lápis de cor e peças de artesanato regional como fuxicos, colchas de retalho e cerâmica. Uma oportunidade para o público, mas que começou com uma grande falha de comunicação.
A pergunta que fica: quem vai responder por esse ruído?
Em tempos de disputa por atenção e espaço na mídia, a Secom não pode se dar ao luxo de convocar a imprensa para eventos fantasmas. Muito menos, atrelar a presença do prefeito e de um secretário municipal sem ter a devida confirmação.
O episódio no Casarão expõe a urgência de um alinhamento mais profissional entre as secretarias da Prefeitura de Feira de Santana. Afinal, a relação com a imprensa é uma via de mão dupla. Quando a Prefeitura chama, a imprensa vai. Mas da próxima vez… com que disposição?





