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A cidade brasileira onde carro é proibido e até ambulância é de bicicleta

5 Min Leitura

 

No coração da Amazônia, em plena Ilha de Marajó, existe um lugar onde o tempo parece correr em duas rodas, ou apenas com os pés. Em Afuá, no Pará, os sons dos motores deram lugar ao barulho suave dos pedais e ao vaivém das águas. Mais do que uma peculiaridade, a ausência de veículos motorizados é a marca de uma cidade que se reinventa sobre palafitas e desafia os padrões de mobilidade urbana do século XXI.

Construída em uma região alagadiça, Afuá é literalmente suspensa sobre a natureza. Suas ruas não tocam o chão: são passarelas de madeira erguidas a cerca de 1,20 metro acima do nível dos rios que cortam o território. Em vez de asfalto, água. Em vez de avenidas, canais. Não há estradas e, por decisão municipal tomada em 2002, nenhum carro, moto ou veículo com motor pode circular ali.

O motivo é prático, mas o resultado é revolucionário: sem trânsito motorizado, Afuá aboliu também a sinalização, os semáforos e as regras formais de tráfego. Não há placas ou faixas, mas há organização, regida pela cultura local e por uma convivência que aprendeu a navegar e pedalar.

Bicicletas, bicitáxis e bicilâncias

Em uma cidade onde 75% dos deslocamentos acontecem em veículos não motorizados, a criatividade dos moradores transformou a bicicleta em muito mais que meio de transporte. Ela é ambulância, táxi, viatura policial e até carro de noiva.

– Bicitáxi: junção de duas bicicletas que forma um quadriciclo artesanal.

– Bicilância: versão adaptada de ambulância com maca e suporte para oxigênio.

Coleta de lixo e manutenção: também são realizadas com triciclos e quadriciclos a pedal.

A mobilidade sobre rodas sem motor se estende até os serviços públicos. Até a polícia faz patrulhamento de bicicleta, e os poucos veículos oficiais registrados, incluindo carros, caminhões e motos, pertencem exclusivamente às autoridades e são usados apenas em emergências.

Um exemplo de mobilidade que inspira

Ainda que tenha surgido por necessidade, a escolha por um transporte limpo e saudável colocou Afuá no radar de ativistas e urbanistas. Enquanto grandes centros urbanos buscam maneiras de reduzir a emissão de poluentes e estimular meios alternativos de transporte, Afuá já vive essa realidade há décadas.

Além dos benefícios ambientais, o cotidiano dos moradores é marcado por hábitos mais ativos. A locomoção cotidiana se transforma, involuntariamente, em exercício físico, favorecendo a saúde cardiovascular e o bem-estar mental da população.

Rios como ruas e bicicletas como bússola

Na transição entre o meio rural e o urbano, os rios assumem o papel de ruas. As embarcações funcionam como ônibus e automóveis. A cidade mais próxima por via fluvial não é a capital do estado, Belém, mas sim Macapá, no Amapá, acessível em cerca de três horas de barco.

O isolamento geográfico e a ausência de rodovias convencionais não são barreiras para a dinâmica da cidade. Pelo contrário: são elementos que reforçam a originalidade de um estilo de vida moldado pela geografia e reinventado pelas pessoas.

No coração da Amazônia, em plena Ilha de Marajó, existe um lugar onde o tempo parece correr em duas rodas, ou apenas com os pés. Em Afuá, no Pará, os sons dos motores deram lugar ao barulho suave dos pedais e ao vaivém das águas. Mais do que uma peculiaridade, a ausência de veículos motorizados é a marca de uma cidade que se reinventa sobre palafitas e desafia os padrões de mobilidade urbana do século XXI.

Construída em uma região alagadiça, Afuá é literalmente suspensa sobre a natureza. Suas ruas não tocam o chão: são passarelas de madeira erguidas a cerca de 1,20 metro acima do nível dos rios que cortam o território. Em vez de asfalto, água. Em vez de avenidas, canais. Não há estradas e, por decisão municipal tomada em 2002, nenhum carro, moto ou veículo com motor pode circular ali.

Fonte Revista Fórum

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