Um agente federal dos Estados Unidos tentou, por meses, comprar a lealdade do piloto pessoal do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para que ele traísse o ditador e o levasse para ser preso.
A ideia era desviar avião e prender Maduro. O agente federal Edwin Lopez pediu ao piloto que levasse a aeronave presidencial a um lugar onde autoridades americanas pudessem deter o ditador. As informações foram divulgadas pela AP (Associated Press).
Oferta para ser um “homem muito rico”. A conversa começou em abril de 2024, em uma reunião secreta realizada em um hangar de um aeroporto. O piloto, identificado pela AP como General Bitner Villegas, saiu do encontro sem se comprometer, mas deu ao agente seu telefone e os dois trocaram mensagens em um aplicativo de mensagens criptografadas.
Meses depois, em 7 de agosto deste ano, o agente enviou ao piloto uma mensagem dizendo que ainda esperava pela resposta dele. O texto foi acompanhado por um link com o anúncio do Departamento de Justiça sobre o aumento da recompensa por Maduro para US$ 50 milhões. A essa altura, Lopez já estaria aposentado do cargo de agente.
PLANO ARQUITETADO A PARTIR DE DICA SOBRE AVIÕES
A trama começou ainda no governo de Joe Biden. Um informante foi à Embaixada dos Estados Unidos na República Dominicana em 24 de abril de 2024 e disse que tinha detalhes sobre os aviões de Maduro.
Homem deixou um cartão e foi procurado por Lopez. Segundo o informante, as duas aeronaves do presidente estavam no país passando por reparos. A notícia intrigou o agente, considerando que a manutenção dos aviões é proibida pelas sanções americanas contra a Venezuela, já que as peças compradas seriam dos EUA, e os próprios aviões estavam sujeitos a apreensão.
Agentes localizaram aeronaves, mas não chegaram a Maduro. Durante as investigações para encontrar o presidente, os agentes descobriram que ele enviou cinco pilotos para recuperar os dois jatos que estavam estacionados no aeroporto executivo La Isabela, em Santo Domingo.
A ideia de persuadir piloto veio do próprio Lopez. Funcionários que conheciam a operação disseram à AP que o agente procurou superiores e autoridades dominicanas para interrogar os pilotos usando como prerrogativa o indiciamento de Maduro em 2020 por narcoterrorismo. Ele reuniu os aviadores no hangar dizendo que queriam conversar, e os agentes fingiram não saber das atividades dos pilotos com Maduro.
Cada conversa durou cerca de uma hora, mas agentes já miravam Villegas. As apurações apontaram o piloto, que era membro da guarda de honra presidencial de elite e, à época, coronel da força aérea venezuelana, como o principal piloto de Maduro.
ÚLTIMA TENTATIVA FOI DE ENTREGAR VILLEGAS
Negativas de piloto levaram a uma nova ideia. Sabendo do histórico de Maduro com os que ele considerava desleais, Lopez e aliados do movimento contrário ao presidente decidiram tentar abalá-lo. A ideia era falar sobre as tratativas com o piloto e levá-lo a questionar a lealdade do aliado.
No dia seguinte à conversa em que Villegas bloqueou Lopez, uma nova operação entrou em curso. O americano Marshall Billingslea, aliado próximo da oposição venezuelana, incluiu o piloto nas provocações que fazia a Maduro há semanas.
Mensagem de aniversário de opositor ao piloto. Billingslea escreveu no X uma mensagem para Villegas no dia em que ele completou 48 anos, acompanhado de fotos reveladoras. Uma delas era a que Lopez havia mandado ao piloto no dia anterior, a outra era uma foto oficial da Força Aérea indicando a nova patente do piloto.
Fotos teriam causado impacto. Vinte minutos após a publicação, um avião que Maduro costuma pilotar e que havia decolado instantes depois da postagem retornou ao Aeroporto de Caracas. Nas redes sociais venezuelanas, começou a especulação de opositores sobre um possível interrogatório ou até mesmo prisão de Villegas.
Piloto foi chamado de “patriota inabalável” pelo regime. Ele ficou sumido por dias, reaparecendo depois em um programa de TV apresentado pelo Ministro do Interior, Diosdado Cabello. Ao ser exaltado por sua lealdade, Villegas permaneceu em silêncio com punho cerrado erguido.
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