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Fechamento do Itaú deixa mais de 20 mil clientes órfãos de atendimento e expõe corrida forçada ao digital, enquanto o banco fala em eficiência e modernização, especialistas alertam para o risco de exclusão de idosos

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O Itaú Unibanco encerrou, em 5 de novembro de 2025, as atividades da agência localizada na Avenida Tancredo Neves, no bairro Caminho das Árvores, em Salvador, uma das mais tradicionais da capital baiana. Cerca de 20 mil clientes e pelo menos 28 funcionários foram diretamente impactados pela medida, segundo informações de veículos locais e do Sindicato dos Bancários.

De acordo com comunicado do próprio banco, os correntistas da unidade Caminho das Árvores foram transferidos para a agência Iguatemi, também em Salvador, que já vinha sendo preparada para absorver a maior demanda. Ao mesmo tempo, o Itaú reforça que operações do dia a dia podem e devem ser realizadas pelos canais digitais, como aplicativo, internet banking e caixas eletrônicos.

O fechamento da agência não é um caso isolado. Somente em 2024, o Itaú anunciou o encerramento de 227 agências em todo o país, como parte de um plano de reestruturação nacional que acompanha o avanço dos bancos digitais e a mudança no comportamento do consumidor.

O movimento, porém, não acontece sem resistência. Sindicatos de bancários apontam preocupação com demissões, precarização do atendimento e exclusão de pessoas que ainda não dominam a tecnologia, especialmente idosos e moradores de regiões populares. Para muitos clientes, a agência física não é apenas um ponto de atendimento, mas um espaço de confiança e orientação financeira presenciais.

Para onde vão os clientes da agência Caminho das Árvores e como fica o atendimento?

Com o encerramento da unidade em Caminho das Árvores, o Itaú orientou seus clientes a buscarem atendimento na agência Iguatemi, que permanece como principal referência física na região para abertura de contas, renegociação de dívidas, investimentos e serviços mais complexos. Segundo o banco, a nova agência dispõe de infraestrutura reforçada para receber o aumento de fluxo e manter o padrão de atendimento.

aplicativo Itaú, internet banking e terminais de autoatendimento. A instituição garante que dados bancários, cartões, limites e contratos dos clientes não sofrem alterações; apenas o vínculo da conta é atualizado para a nova agência responsável.

 

Transformação digital no Itaú e no sistema bancário brasileiro

A decisão do Itaú ocorre em um contexto de revolução digital no sistema financeiro brasileiro. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cerca de 82% das transações bancárias em 2024 foram realizadas por canais digitais, como celular e internet banking, e 75% delas apenas pelo celular, mostrando a força do mobile banking no país.

 

Dados do Banco Central do Brasil indicam que o uso de canais físicos, como agências e caixas presenciais, representa uma fatia cada vez menor do total de operações, caindo para algo em torno de 2% das transações de pagamento em alguns períodos recentes.

 

Em paralelo, relatórios oficiais mostram que o número de agências bancárias no Brasil despencou de mais de 23 mil, em 2015, para cerca de 15,5 mil em 2025, reflexo direto do avanço da digitalização e da concorrência com bancos 100% digitais.

 

No caso do Itaú, o banco afirma que 97% das transações de pessoas físicas já ocorrem nos canais digitais e que a rede física passará a ter papel cada vez mais consultivo, atendendo nichos específicos e situações que exigem orientação presencial mais aprofundada.

 

A instituição argumenta que a transformação digital permite mais agilidade, redução de custos e expansão de serviços personalizados para os clientes.

 

Ao mesmo tempo, a Febraban defende que a modernização dos canais de atendimento reduz filas, amplia a disponibilidade de serviços 24 horas por dia e favorece a inclusão financeira, sobretudo em regiões onde o atendimento físico é limitado.

 

Quem mais sofre com o fim das agências físicas e quais são os riscos

Apesar dos ganhos de eficiência, especialistas e entidades de defesa do consumidor alertam que o fechamento acelerado de agências pode aprofundar desigualdades de acesso. Idosos, pessoas com baixa escolaridade, correntistas sem internet estável e moradores de áreas periféricas são os grupos que mais sofrem com a migração forçada para o digital.

 

Sindicatos de bancários da Bahia destacam que boa parte da população atendida por agências como Caminho das Árvores e outras unidades fechadas recentemente ainda depende do atendimento presencial, seja pela dificuldade em usar aplicativos, seja pelo medo de erros e golpes virtuais. Para essas pessoas, falar com o gerente “olho no olho” continua sendo uma forma de segurança.

 

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