Mesa farta dos poderosos, fome nos pratos dos terceirizados: a desigualdade que abala Feira de Santana no Natal
Enquanto políticos, empresários e gestores comemoravam o Natal com pratos repletos, sorrisos e comodidades, centenas de funcionários terceirizados da empresa INSV — que presta serviços à Prefeitura de Feira de Santana — voltavam para casas com mesas vazias e frustração nos olhos das próprias famílias.
A data é 27 de dezembro de 2025, e a injustiça segue: a INSV — uma empresa cuja estrutura é um mistério (ninguém sabe quem é o diretor, nem quem é o dono) — está devendo 12 meses de vale-refeição aos seus colaboradores. Doze meses em que essas pessoas poderiam ter botado comida na mesa, especialmente nos dias de festa como Natal e Ano Novo.
E a ironia não para por aí: Feira de Santana tem um orçamento de 3,6 bilhões de reais — um valor que deveria garantir que quem presta serviços à cidade não passe por necessidades básicas como essa. Os poderosos usufruem do dinheiro público em comemorações, enquanto aqueles que trabalham para manter a cidade enfrentam humilhações diárias por falta de recursos para alimentar suas famílias.
O que os gestores da prefeitura estão fazendo para resolver isso? Quando a INSV vai honrar o que deve aos seus funcionários? A cidade não pode permitir que a riqueza pública seja usada para festejar uns, enquanto outros passam fome.
E enquanto o prefeito José Ronaldo permite que empresas contratadas por sua gestão humilhem aqueles que o ajudaram a chegar ao cargo, os vereadores apoiadores do governo — que também indicam servidores — permanecem calados, como se ignorassem o caso ou não tivessem qualquer responsabilidade pelo descaso. O ministro público, que já foi convocado para tratar de um acordo, parece ter lavado as mãos como Poncio Pilatos, deixando que se escolha Barrabás em vez de Cristo. A pergunta que fica é: a quem recorrer?





