O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (20), rondando os 209 mil pontos no melhor momento, com bancos e B3 entre os principais suportes. A máxima histórica é de 209.066 pontos, registrada em 9 de outubro deste ano.
A bolsa paulista continua em clima de expectativa para o desfecho da eleição presidencial no país, com o segundo turno no domingo (25), enquanto investidores estrangeiros seguem fornecendo apoio para as ações brasileiras.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,57%, a 208.295,98 pontos, chegando a 208.941,57 na máxima e marcando 205.082,26 na mínima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$ 42,5 bilhões.
“Trade eleitoral”, resumiu o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, sobre o desempenho do Ibovespa.
Ele destacou que, embora as pesquisas ainda mostrem um cenário acirrado na disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo Palácio do Planalto, o candidato do PL continua à frente.
Pesquisa eleitoral divulgada nesta terça pelo instituto Real Time Big Data sobre as intenções de voto para a Presidência da República mostra que Flávio tem 52% dos votos válidos no 2º turno, enquanto o presidente Lula soma 48%.
Ações na B3 têm reagido positivamente a uma potencial troca em Brasília em razão da expectativa de melhora no cenário fiscal do país.
Apenas em outubro, a B3 registra um saldo de capital externo positivo de R$ 20,99 bilhões até o dia 16.
Dólar cai influenciado pelo exterior e eleição no Brasil
O dólar fechou a terça-feira em baixa ante o real, influenciado tanto pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior quanto pelo cenário eleitoral no Brasil, a cinco dias do segundo turno.
Em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros, o dólar à vista encerrou com queda de 0,58%, a R$5,0182%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,58%.
Às 17h02, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0280.
A moeda norte-americana operou em baixa durante boa parte do dia ante divisas como o iene, a libra, o euro e o franco suíço, com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também em queda no exterior.
Em relação às divisas de países emergentes, o dólar sustentou perdas ante o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, o que também trazia um viés de queda para as cotações no Brasil.
Esse movimento foi corroborado pelo noticiário político brasileiro, marcado na véspera pela divulgação de novas pesquisas eleitorais.
Ainda que a disputa pela Presidência esteja acirrada, a maior parte dos institutos segue indicando alguma vantagem numérica nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Já está em boa parte precificado que Flávio vai ganhar, mas há espaço para valorização do real e diminuição de prêmios na curva [de juros futuros] se isso se confirmar”, comentou Jonathan Joo Young Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset.
Nesse cenário, o Ibovespa superou os 208 mil pontos, favorecido pelo fluxo de investimentos estrangeiros, o que também justificava a queda do dólar ante o real.
“O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes”, pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Às 13h45, o dólar à vista atingiu a mínima intradia de R$5,0044 (-0,86%).
Por trás do movimento está a leitura de boa parte dos agentes de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Nesta terça-feira, na contramão da ideia de ajuste, Flávio prometeu restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo.
O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, com empresas de diferentes áreas conseguindo acessar o benefício — que se prolongou bem além do período emergencial.
“A gente não sabe como ele [Flávio] vai fazer corte de gastos. Ele mencionou que um dos principais pontos é recuperar a confiança e melhorar a questão fiscal do Brasil, mas a gente não tem clareza de como isso vai ser feito”, ponderou Lee, da Mirae Asset.
“Mesmo não tendo essa clareza, vimos o mercado reagindo totalmente otimista após o primeiro turno”, acrescentou.
Uma nova pesquisa eleitoral da Quaest está programada para a quarta-feira (21), enquanto um levantamento do Datafolha deve sair na quinta-feira (22).
Fonte R7





