O arrepio percorre os bairros de Feira de Santana. Na esteira de informações veiculadas pela imprensa, o prefeito José Ronaldo (União Brasil) prepara-se para reunir seu grupo político e anunciar na próxima segunda-feira (30), apoio inesperado a ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, e Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié, para as eleições de outubro. Se confirmada, a decisão será um golpe baixo na cara dos eleitores que depositaram confiança nele – e um lembrete doloroso de que, para alguns, a política vale mais por acordos do que por princípios.
A HUMILHAÇÃO QUE AGORA SERÁ ENGOLIDA
Em 2022, o cenário era outro: Ronaldo foi sumariamente rejeitado por ACM Neto, sofrendo uma derrota que já pairava no ar desde 2018. Naquele ano, foi Zé Ronaldo quem assumiu a campanha para governador no lugar de Neto – e foi esmagado nas urnas. Após o revés, os feirenses ronaldistas não esconderam a raiva: prometeram vingança para 2026, dizendo que nunca esqueceriam a humilhação imposta por quem hoje podem vir a apoiar.
O paradoxo não poderia ser maior: os candidatos que Ronaldo pretende endossar não têm vínculo efetivo com Feira de Santana, nem sequer movimentaram uma palha para impulsionar o desenvolvimento da cidade. Enquanto isso, o prefeito vai pedir que seus eleitores esqueçam o passado, engulam o choro e deixem de lado o orgulho? – Tudo em nome de alianças que parecem não levar em conta o bem-estar da população local.
O CONTRASTE QUE MARCA A GESTÃO
Enquanto o possível acordo choca a base partidária, o atual governador Jerônimo Rodrigues caminha na direção oposta. Nos últimos 30 anos, nenhum chefe do Executivo estadual investiu tanto em Feira de Santana quanto ele: está sempre presente na cidade, anunciando obras e programas que beneficiam diretamente os feirenses. Além disso, foi o maior incentivador para a construção do Hospital Geral Municipal – um sonho antigo da população – e se mostrou um ombro amigo da gestão de Ronaldo.
A pergunta que paira no ar é a mesma que circula em todos os cantos da cidade: será que na política não há realmente lugar para seriedade e honra? Se o prefeito declarar apoio ao seu carrasco político, estará não só arrastando seus eleitores para o fracasso e a desilusão, mas também ensinando uma lição dura: que os acordos de poder superam qualquer compromisso com a sociedade.
Será que os feirenses aceitarão engolir a amargura do passado em troca de uma aliança que não parece trazer benefícios para a cidade?





