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A grande virada de José Ronaldo: Vice-Governador ao Lado de Jerônimo Rodrigues

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A grande virada para José Ronaldo seria se tornar vice-governador da Bahia ao lado de Jerônimo Rodrigues. Essa é, talvez, a única forma de mostrar a ACM Neto como se faz política respeitando os mais velhos e aqueles que pavimentaram a estrada pela qual ele passou.

Na tentativa de se tornar senador da República ou vice-governador do Estado, José Ronaldo se sacrificou na eleição de 2010, quando não havia nomes de peso no grupo político ao qual servia. Também disputou o governo do Estado em uma eleição na qual quem deveria concorrer acabou desistindo. Mais uma vez, ele foi ao sacrifício, abrindo mão de cumprir seu quarto mandato como prefeito da segunda maior cidade do Estado. Tudo em nome de uma “fidelidade”.

Após ser duramente humilhado nas eleições de 2022 por aquele a quem tanto se dedicou, José Ronaldo viu sua carreira política desabar diante da enorme falta de consideração de quem ele sempre protegeu — se lançando por duas vezes a cargos apenas para defender a liderança de outro.

Ronaldo arrumou as malas, voltou para Feira de Santana de cabeça baixa, desacreditado pelos “seus”, e retornou à sua base política reduzida, recomeçando do zero. As chamadas “orelhinhas secas” — lideranças de pequeno porte — voltaram a procurá-lo, sedentas por apoio, após serem abandonadas pela gestão do então prefeito Colbert Martins, que governava com mão de ferro e não reconhecia essas lideranças.

Com o grupo completamente rachado e muitos desacreditando de sua liderança, José Ronaldo foi se reinventando. Conquistou apoio um a um, criando mecanismos para que, ao final do processo, restasse apenas um nome forte para disputar a prefeitura: o dele.

Após um processo árduo, José Ronaldo foi eleito novamente para seu quinto mandato como prefeito. A partir daí, tudo mudou. ACM Neto passou a frequentar Feira de Santana com mais frequência, fazendo juras de amor eterno à cidade. Aquele que antes “não servia” para ser seu vice ou para compor a chapa como senador, agora era visto como alguém capaz de escolher sua própria posição dentro do grupo.

Hoje, Ronaldo tem uma chance real de consagrar sua carreira política ao se tornar vice-governador — ou até senador da República — ao lado de Jerônimo Rodrigues, político que pode ser considerado de Feira de Santana, dado o destaque que teve a partir do trabalho desenvolvido na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

As chances são reais. O maior desafio de José Ronaldo é encarar esse novo cenário, pois, ao longo de sua carreira, nunca atuou no campo político da esquerda.

Para isso, Ronaldo deixaria o União Brasil e migraria para o PSD, liderado pelo senador Otto Alencar. O PSD, que atualmente conta com dois senadores — Otto e Ângelo Coronel —, abriria mão de uma vaga ao Senado nas eleições de 2026 para indicar o vice-governador. Neste caso, José Ronaldo.

Na disputa para o Senado, os nomes mais prováveis seriam Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT. Para o Governo do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT) viria como candidato à reeleição, tendo José Ronaldo (PSD) como vice.

Essa composição empurraria o candidato do MDB, Geraldinho, para fora da disputa majoritária. Em contrapartida, o partido poderia assumir um ministério, caso Lula seja reeleito, repetindo a prática política comum nos bastidores.

Alguns analistas políticos rejeitam a ideia de que o MDB abriria mão de um cargo eletivo na Bahia, mas basta lembrar que o próprio PT fez isso quando Rui Costa, mesmo muito bem avaliado ao deixar o governo, desistiu da disputa ao Senado para manter a união do grupo. Ele se tornou ministro da Casa Civil.

Agora, o MDB pode ser chamado à missão de unificar o grupo e garantir sua permanência no poder — com o reforço do baque político de ACM Neto e a eleição de José Ronaldo como vice-governador.

Assim, Ronaldo manteria sua base forte e unida em Feira de Santana, o que, provavelmente, consolidaria um palanque robusto para as eleições de 2028, quando será escolhido o novo prefeito da cidade.

Caso contrário, se Jerônimo Rodrigues for reeleito e, sem apoio de Zé Ronaldo, derrotar ACM Neto, mas posteriormente virá com sua base forte e poderosa em Feira de Santana, poderá tomar o controle político da cidade. Isso representaria um fim trágico para a carreira política de José Ronaldo.

Dessa forma, o cenário aponta para uma possível virada na política baiana. Tal como Otto Alencar, que se uniu ao PT e permanece no poder desde então, José Ronaldo pode protagonizar uma nova fase da história política da Bahia.

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