A decisão do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, de permanecer no comando do Executivo municipal até o fim do mandato, anunciada no último domingo (08), abriu um novo capítulo no xadrez político local — e colocou o vice-prefeito Pablo Roberto diante de uma escolha decisiva.
Nos bastidores da política feirense, era de conhecimento geral que Pablo Roberto vinha sinalizando um caminho claro: só abriria mão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados caso José Ronaldo deixasse a Prefeitura para entrar na corrida eleitoral de outubro. Com o chamado “dia do fico” do prefeito, esse cenário mudou completamente.
Agora, a tendência é que o vice-prefeito deixe o comando da Secretaria Municipal de Educação para colocar o nome na disputa por uma cadeira na Câmara Federal em 2026. A decisão, no entanto, carrega riscos e pode representar um salto alto em um terreno político ainda incerto.
Mas há também um segundo caminho — mais cauteloso, porém igualmente arriscado. Pablo Roberto pode optar por permanecer no governo e apostar em um novo ciclo político, tentando repetir a dobradinha com José Ronaldo em 2028.
O problema é que política raramente oferece garantias. Permanecer no cargo significaria apostar todas as fichas em um futuro ainda distante, em um cenário que pode mudar completamente ao longo dos próximos anos. Até lá, novos nomes podem surgir, alianças podem ser redesenhadas e o espaço político hoje ocupado pelo vice-prefeito pode se tornar disputado por outras lideranças com maior poder de articulação.
Dentro do próprio grupo governista, a permanência de Pablo Roberto no governo também não significaria necessariamente vantagem estratégica. Integrante da gestão comandada por José Ronaldo, ele não teria muitos trunfos para negociar sua posição política no futuro.
Diante desse quadro, a pergunta que ecoa nos corredores do poder em Feira de Santana é inevitável:
Pablo Roberto deixará a Secretaria de Educação para disputar a eleição agora ou também dará seu próprio “fico”, apostando na sorte de 2028?
Na política, quem espera demais pode perder o bonde da história. E Pablo Roberto sabe que, neste jogo, o tempo costuma ser o adversário mais implacável.





