O suplente de vereador Batista da Agrovila, figura expressiva do bairro da Mangabeira, surpreendeu a cena política local ao recusar um cargo na Prefeitura de Feira de Santana, oferecido cinco meses após a posse do prefeito José Ronaldo (União/Republicanos). Com 1.277 votos conquistados nas eleições de 2024, Batista destacou-se como a principal liderança de seu bairro, sendo o mais votado da região.
Durante a campanha, Batista empenhou-se ativamente para garantir a vitória de seu grupo no primeiro turno, defendendo com veemência a candidatura de José Ronaldo contra o adversário José Neto (PT). Seu esforço, considerado estratégico por muitos analistas políticos, foi essencial para evitar um segundo turno e consolidar a vitória do atual prefeito.
No entanto, a recente nomeação de Batista para um cargo DA6 – o de menor remuneração e expressão na estrutura da gestão municipal – foi interpretada por ele como um gesto desproporcional ao reconhecimento político que seus votos e trajetória exigem. Nomeado no Diário Oficial do Município de 04 de junho de 2025, Batista optou por não tomar posse e recusou formalmente o cargo.
A atitude gerou debates intensos nos bastidores políticos. Lideranças comunitárias e eleitores têm manifestado solidariedade ao posicionamento de Batista, que preferiu manter sua coerência e dignidade política a aceitar uma função que considerou incompatível com sua trajetória e contribuição eleitoral.
Nos corredores políticos, a movimentação de Batista já levanta especulações: uma recente fotografia ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT) acendeu rumores de uma possível reaproximação com o grupo oposicionista. Seria esse o prenúncio de uma nova aliança?
Enquanto alguns líderes com significativa expressão popular enfrentam nomeações consideradas simbólicas ou subestimadas, outros, sem histórico de atuação eleitoral, têm sido agraciados com cargos de alto escalão por mera indicação política. Essa realidade tem alimentado o sentimento de frustração entre lideranças autênticas que, como Batista da Agrovila, desejam mais respeito à voz das urnas.
A postura de Batista ecoa como um grito de alerta e um exemplo para tantos outros líderes populares: a política precisa reconhecer quem verdadeiramente representa o povo. E, mais do que cargos, o que vale é a dignidade e o compromisso com quem depositou confiança nas urnas.







