A política de Feira de Santana parece ter acordado em 2026 no modo combustão máxima. Antes mesmo do calendário avançar, os bastidores já dão sinais de que alianças, ausências e sorrisos dizem muito mais do que discursos oficiais.
Na última terça-feira, dia 13, uma reunião chamou atenção no cenário político local. O prefeito José Ronaldo de Carvalho (UB) recebeu o deputado federal Gabriel Nunes (PSD) para tratar de pautas ligadas à área da saúde, tema sensível e sempre estratégico. No encontro, também esteve presente o ex-deputado federal José Nunes, reforçando o peso político da conversa e levantando expectativas sobre possíveis encaminhamentos futuros.
Até aí, tudo dentro do script institucional. Mas foi no pós-reunião que os sinais começaram a gerar ruído.
Gabriel Nunes seguiu para rádio Princesa FM, onde concedeu entrevista ao radialista Valdeir Uchôa, no programa Altos Papos e falou sobre os temas debatidos. Ao seu lado, estavam o vereador Curuca, o Pr. Valdemir e outras figuras conhecidas da política feirense. Porém, uma ausência ecoou mais alto do que qualquer fala no microfone.
O vereador Luiz Augusto de Jesus, o Lulinha da Gente, considerado uma das principais lideranças ligadas ao deputado Gabriel Nunes em Feira de Santana, não apareceu nem na reunião com o prefeito, nem na entrevista na rádio. Silêncio absoluto. Desatenção? Desencontro de agenda? Ou algo mais profundo estaria por trás dessa ausência estratégica?
Enquanto Lulinha não deu as caras, quem parecia bastante à vontade — e de sorrisos largos — era o vereador Jurandir Carvalho. Curiosamente, Jurandir é apontado como liderado do vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto. A presença ostensiva de Jurandir ao lado de Gabriel Nunes levanta outra pergunta inevitável: Estaria já exercendo, na prática, o papel de cabo eleitoral?
E é aí que o tabuleiro esquenta ainda mais. Jurandir estaria fazendo política para quem, afinal? Para Gabriel Nunes? Para Pablo Roberto? Ou para ambos? Ou será que Pablo Roberto já teria “jogado a toalha” em relação a uma eventual candidatura a deputado federal, abrindo espaço para novos arranjos e alianças?
Na política, ausências costumam ser tão reveladoras quanto presenças. Em Feira de Santana, onde cada gesto é calculado e cada fotografia tem peso, o silêncio de Lulinha e o protagonismo inesperado de Jurandir parecem indicar que há mais sendo costurado longe dos holofotes do que aquilo que foi dito oficialmente.
Se o ano mal começou e já está “pegando fogo”, a pergunta que fica é: quem está realmente no comando do jogo e quem pode estar sendo deixado para trás antes mesmo da largada oficial?






