Moradores dos bairros Campo Limpo, George Américo, Morada das Árvores e regiões adjacentes de Feira de Santana vivem um verdadeiro pesadelo com o sistema de transporte público local. Os relatos são unânimes: os veículos que circulam nas linhas atendidas pelas Empresas Rosa e São João estão em estado lastimável, refletindo um descaso absoluto que não só prejudica a rotina de milhares de pessoas, mas também coloca em risco a segurança de todos os usuários.
Os ônibus são descritos como velhos, enferrujados e sem a mínima condição de limpeza. Mas o problema vai muito além da aparência: de tão deteriorados, os veículos quebram constantemente, atrasando trabalhadores que dependem do transporte para chegar ao emprego, estudantes que não podem perder a aula e cidadãos que têm compromissos inadiáveis. Os relatos mais alarmantes, porém, são os incidentes que colocam a vida em risco: há casos de ônibus que soltam rodas em pleno percurso, quebram diariamente e até pegam fogo, deixando passageiros apavorados e expostos a perigos iminentes.
Além da precariedade dos veículos, os usuários ainda enfrentam outro problema grave: a falta de cobradores em muitos dos veículos. Com isso, o motorista acaba assumindo duas funções — cobrar as passagens e dirigir — o que torna as viagens ainda mais demoradas e aumenta o risco de acidentes, já que a atenção do condutor é dividida entre duas tarefas essenciais.
Os moradores não hesitam em criticar a situação: pagam um valor elevado pelas passagens, mas não recebem um serviço que corresponda ao investimento. E a responsabilidade por esse cenário caótico, segundo eles, recai diretamente sobre o governo municipal de Feira de Santana. Afinal, é dever do poder público fiscalizar as empresas concessionárias, garantir que os veículos estejam em condições adequadas de circulação e assegurar que o transporte público seja um serviço de qualidade, acessível e seguro para toda a população.
O que se vê, no entanto, é uma total falta de compromisso da gestão municipal. A ausência de fiscalização eficaz permite que empresas como a Rosa e a São João continuem operando com veículos inadequados, sem que haja qualquer tipo de punição ou cobrança por melhorias. O governo municipal não pode se omitir diante de um problema que afeta a vida de tantas pessoas: o transporte público é um direito fundamental, e a sua precariedade é um reflexo direto da negligência da administração pública em cumprir o seu papel.
Os moradores pedem providências urgentes. Não é aceitável que em pleno século XXI, cidadãos tenham que se submeter a um transporte público que não funciona, que coloca a sua vida em risco e que não oferece a mínima condição de conforto e segurança. O governo municipal de Feira de Santana precisa acordar para a realidade, cumprir o seu dever e garantir que o transporte público da cidade seja, finalmente, o que os cidadãos merecem: um serviço de qualidade, confiável e digno.






