A campanha pelo governo da Bahia ganhou um capítulo de tensão e provocações de peso nesta quarta-feira (1º), em Alagoinhas. Cumprindo agenda no estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas duras e diretas ao pré-candidato ao Palácio de Ondina, ACM Neto (União Brasil), reacendendo uma das polêmicas mais comentadas das últimas eleições.
“O teu adversário é tão mentiroso que ele chegou a querer passar por negro”, disparou Lula, em discurso direcionado ao governador Jerônimo Rodrigues, seu aliado que busca a reeleição. A frase refere-se à polêmica da autodeclaração étnica do ex-prefeito de Salvador nas eleições de 2022, um tema que voltou ao centro do debate político baiano.
Da polêmica a defesa de uma conquista histórica.
Logo após a crítica, o presidente transformou o assunto em defesa das políticas de igualdade racial implementadas em seus governos, virando a chave para mostrar o quanto a realidade mudou — e o quanto isso incomoda quem não aceita a nova dinâmica:
“Antigamente, ninguém assumia que era negro. Tinha moreno, tinha moreno claro, tinha mulato. Ou seja, as pessoas inventavam um monte de coisa para dizer que não era negro.”
Para Lula, o episódio revela justamente o quanto a luta do movimento negro avançou — a ponto de até adversários políticos buscarem se alinhar a essa identidade, mesmo sem coerência com a história:
“Isso é motivo de orgulho, porque é conquista de vocês, é conquista da persistência do movimento negro, é conquista daqueles que não têm vergonha da sua cor, do seu berço. Essa é uma conquista inestimável, e que a gente tem que ter orgulho.”
A guerra de narrativa que vai marcar a Bahia
A declaração deixa claro que a disputa pelo governo baiano não será de meias palavras:
– De um lado, a gestão estadual e o PT apostam na valorização das políticas afirmativas, na mudança de mentalidade e na legítima afirmação identitária como marca de sua trajetória;
– Do outro, ACM Neto e a oposição veem a provocação como estratégia de ataque pessoal, e já sinalizam que responderão à altura ao longo da campanha.
O fato é que, com essa fala, o presidente abriu definitivamente as portas para um confronto direto, que vai misturar memórias eleitorais, discussões sobre identidade e um confronto de projetos para o futuro da Bahia. A tensão só tende a aumentar: a política baiana ganhou novas provocações, e nenhum lado vai recuar.
Com informações do Informe Baiano





