Feira de Santana, BA – Enquanto os holofotes se voltam para acordos, coligações e preparativos eleitorais, um perigo silencioso e mortal toma conta das ruas da cidade. Os casos de dengue e chikungunya explodiram, e o que se vê é um cenário de abandono: autoridades parecem tranquilas, mas a população adoece em grande número, sem encontrar respostas ou socorro rápido.
O alerta vem de quem vive a realidade na linha de frente. O programa de combate a endemias está há seis meses sem um coordenador de Vigilância Epidemiológica— e sem comando, as ações ficam perdidas, e os dados parecem ficar escondidos sob uma falsa calma. A situação é ainda mais grave em bairros como Tomba, Queimadinha e Feira X, onde moradores relatam não saber mais a quem recorrer.
Na Policlínica George Américo — referência nos exames que confirmam essas doenças — os profissionais de saúde já não escondem a preocupação: são muitas pessoas acamadas com dores intensas e sintomas graves causados pela chikungunya, e a cada dia chegam mais. Os agentes de combate aos mosquitos são poucos, não dão conta de cobrir todas as áreas, e muitos pontos de risco permanecem sem nenhuma vistoria ou tratamento.
O número que choca mostra o tamanho da tragédia: na Rua Pinheiros, localizada no bairro do Tomba, já foram confirmados 36 casos. A conta para todo o bairro — e para toda a cidade — pode ser muito maior, e ninguém sabe ao certo a real dimensão.
Um profissional que atua diretamente no combate às endemias faz uma pergunta que cala fundo: “Onde serão montadas as tendas de atendimento para as vítimas? Parece que não há nada planejado, e tememos que seja tarde demais quando a doença já tiver tomado conta de tudo”.
⚠️ Dados preocupantes em todo o país e região
Segundo informações do Ministério da Saúde, só neste ano já foram registrados mais de 2.400 óbitos confirmados por dengue em todo o Brasil, além de outros milhares de mortes em investigação. A chikungunya, por sua vez, também já levou vidas — e quando não mata de imediato, pode deixar sequelas graves, como dores que duram anos e comprometem a mobilidade.
Enquanto isso, o foco das autoridades parece estar voltado para as negociações políticas. A população pergunta: quem vai cuidar de nós? Porque enquanto os acordos são fechados, a doença avança sem barreiras, e o silêncio de quem deveria proteger pode estar custando vidas.




