Enquanto o segundo turno das eleições presidenciais aquece o país, Feira de Santana vive uma situação inusitada: os dois principais nomes do Poder Executivo municipal estão fora da linha de frente da campanha local. Enquanto o prefeito José Ronaldo segue em recuperação médica após procedimento de angioplastia, coube ao vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto, assumir a liderança da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro na cidade — mas ele também não está presente.
Compromissos internacionais afastam vice da disputa
Pablo Roberto cumpre uma agenda na China e não participará ativamente dos trabalhos de campanha no município. A informação gerou movimento nas redes sociais e levantou questionamentos da população feirense sobre a ausência de um nome de peso à frente da campanha em uma das maiores cidades do interior da Bahia.
Especulações, desmentidos e um silêncio que gera desconforto
Por sua trajetória no passado ligada à esquerda, a ausência de Pablo Roberto rapidamente alimentou especulações de que ele estaria apoiando a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita foi prontamente negada, mas o fato é que seu distanciamento da disputa acabou conferindo ao vice-prefeito um tom de neutralidade que não passa despercebido.
E é justamente essa postura — de não se posicionar publicamente por nenhum dos dois lados — que tem incomodado parte dos bolsonaristas em Feira de Santana. Para apoiadores de Flávio Bolsonaro, a expectativa era de que, com o prefeito afastado por saúde, o vice assumisse naturalmente a liderança da campanha na cidade. A decisão de manter-se à margem, mesmo justificada por compromissos internacionais, é vista por muitos como uma ausência simbólica pesada demais para ser ignorada.
“Nem Lula, nem Flávio” — essa postura equidistante, embora legítima, não costuma ser bem recebida em momentos de polarização acentuada.
Cenário aberto em Feira
Com o prefeito em repouso médico e o vice em missão no exterior, a campanha de Flávio Bolsonaro em Feira de Santana segue sem um nome de peso do governo municipal à frente da articulação. Cabe agora aos membros do Partido Liberal (PL) conduzir os trabalhos na cidade, enquanto a população observa com atenção: de um lado, a viagem programada; do outro, um silêncio político que, intencional ou não, ecoa alto no segundo turno.





