O prefeito José Ronaldo (União Brasil), em seu quinto mandato, tornou comum apontar falhas no sistema de regulação de saúde do Governo da Bahia. Mas, enquanto critica a gestão estadual, a população feirense questiona: como cobrar de quem está lá em cima, se o dever de casa não está sendo feito aqui mesmo?
A promessa e a realidade
Durante a campanha eleitoral, José Ronaldo fez da saúde uma das suas principais bandeiras. Prometeu investimentos altos, a construção do Hospital Geral Municipal — mesmo tendo declarado anteriormente que a cidade não teria condições de manter uma unidade como essa funcionando — e garantiu que iria zerar as filas de exames em 100 dias.
Passado quase um ano e sete meses de mandato, o que se vê é o oposto: o acesso à saúde pública ficou ainda mais difícil, e as promessas continuam apenas no discurso. O tão esperado hospital, que a população tanto reivindica, segue distante de se tornar realidade.
O fim da agilidade e o retorno da burocracia
Logo ao assumir o seu quarto mandato, o prefeito extinguiu o sistema de saúde digital implantado pelo ex-prefeito e médico Dr. Tarcízio Pimenta. Naquele modelo, o paciente chegava à unidade de saúde e era atendido em até 25 minutos, já saía com exames marcados e consultas com especialistas agendadas. A falta de medicamentos era rara, e o atendimento básico funcionava com agilidade e eficiência.
Hoje, já em seu quinto mandato, o que volta a dominar são as antigas “guias amarelas”. Qualquer pedido de exame, por mais simples que seja, precisa passar por uma central na Secretaria de Saúde, onde fica retido até que haja autorização — gerando longas esperas, atrasos e sofrimento para quem precisa de atendimento rápido. A falta constante de remédios em UPAs, Policlínicas e UBSs passou a ser uma reclamação recorrente.
O problema que começa na base e sobrecarrega tudo
Especialistas em saúde pública alertam: ao não garantir a assistência básica com qualidade, a gestão municipal faz com que doenças simples evoluam para quadros graves. Esses casos, que poderiam ser resolvidos com tratamento precoce na atenção básica, acabam sobrecarregando a rede de média e alta complexidade — aumentando filas, custos e, principalmente, o risco de vidas.
A contradição política
José Ronaldo é um dos principais aliados do ex-prefeito e pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto. E a situação levanta uma questão central: como usar Feira de Santana como exemplo de gestão na área da saúde durante uma campanha, se a própria cidade vive um colapso na atenção básica? Como criticar o sistema de regulação estadual, se o principal aliado não consegue organizar a sua própria rede de atendimento?
A crítica ao Estado pode até ter pontos, mas ela perde toda a credibilidade quando não se olha para dentro de casa. Enquanto o prefeito aponta o dedo para a administração estadual, a verdadeira crise da saúde feirense continua escondida — e quem paga o preço mais alto é a população, que merece respeito, agilidade e, acima de tudo, atendimento de qualidade.




