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A aposta que não deu certo: zona rural rejeita indicação, prefeito perde terreno e ACM Neto é derrotado em todos os distritos de Feira de Santana

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A estratégia traçada pelo prefeito José Ronaldo (União Brasil) para reconquistar a confiança do eleitorado da zona rural acabou se transformando em um dos mais expressivos reveses políticos de sua gestão. A esperança de ampliar a presença do governo no campo, por meio de uma nova condução na Secretaria de Agricultura, resultou em uma derrota eleitoral histórica em todos os distritos do município nas urnas das eleições de 2026.

A nomeação de Silvaney Araújo para comandar a pasta foi recebida com ceticismo por parte de aliados da base governista desde o início. Sem vínculos reconhecidos com a comunidade rural feirense e sem trajetória política conhecida, o secretário não conseguiu imprimir novas ações nem apresentar projetos que aproximassem a gestão das famílias do campo. O resultado foi a continuidade de uma rotina sem inovação, enquanto a oposição consolidava sua presença nas comunidades.

O reflexo dessa ausência de resultados apareceu claramente nas urnas. O candidato ao governo da Bahia ACM Neto, que contou com apoio oficial do prefeito José Ronaldo, foi derrotado pelo governador Jerônimo Rodrigues em todos os distritos rurais da cidade. Em localidades como Jaguara e Matinha, a vitória do governador reeleito superou os 68% dos votos — mais do que o dobro obtido pelo candidato da situação. Mesmo em Humildes, onde a disputa foi mais acirrada, Jerônimo manteve a dianteira.

“Foi uma aposta de risco que não se concretizou. O que se viu foi um nome desconhecido da população ocupando um cargo estratégico, sem que houvesse mudança visível na qualidade do atendimento ou nas ações voltadas ao produtor rural”, avalia uma liderança da base governista que pediu para não ser identificado. “Nós avisamos que não funcionaria, mas a decisão foi mantida. Agora, os números falam por si.”

O saldo final revela que a zona rural, historicamente um espaço importante de apoio político, passou a funcionar como um território de domínio oposicionista. Com apoio do deputado federal Zé Neto (PT), Jerônimo Rodrigues transformou os distritos em uma das suas maiores bases eleitorais na região, justamente onde a gestão municipal esperava crescer.

O prejuízo, no entanto, vai além dos números da eleição deste ano. A lacuna deixada por uma secretaria que não conseguiu entregar resultados visíveis abre espaço para que a oposição continue avançando sobre um eleitorado que demonstrou, de forma clara e expressiva, ter encontrado em outras lideranças a representação que não recebeu do governo municipal.

Cabe agora ao prefeito José Ronaldo avaliar o que restou da estratégia e recalcular o caminho de volta — porque o eleitorado da zona rural já mostrou que não basta nomear alguém para ser ouvido. É preciso fazer, apresentar e entregar. E nisso, a conta ainda não fechou.

Dados da votação — Distritos de Feira de Santana

Distrito Jerônimo Rodrigues ACM Neto

Maria Quitéria 7.012 (66,41%) 3.517 (33,31%)

Humildes 5.375 (50,81%) 5.168 (48,85%)

Matinha 3.867 (68,59%) 1.758 (31,18%)

Jaguara 2.304 (71,62%) 903 (28,07%)

Gov. João Durval Carneiro 2.288 (64,63%) 1.245 (35,17%)

Jaíba 2.181 (60,68%) 1.395 (38,81%)

Tiquaruçu 2.015 (66,46%) 1.004 (33,11%)

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