Quem ajudou a construir caminhos e levantar nomes em momentos difíceis, hoje se vê afastado e sem espaço. Essa é a realidade que relata o líder comunitário Cristovaldo das Neves, figura conhecida nos bairros e zona rural de Feira de Santana, que diz ter sido deixado de lado pela gestão municipal após 1 ano e 6 meses de governo do prefeito José Ronaldo.
Conforme diz, foi justamente ele quem esteve ao lado do gestor em uma das fases mais complicadas de sua trajetória política: “Fui eu quem levantou Zé Ronaldo quando ninguém mais acertava”, relembra, referindo‑se ao apoio decisivo dado em campanhas anteriores.
Mas, após a posse, a situação mudou. Cristovaldo foi nomeado para o cargo de Agente Distrital, referência DA‑6, com remuneração de um salário mínimo — mas, segundo ele, nem mesmo compromissos básicos foram cumpridos.
“Além de não cumprir com a nomeação da minha esposa, o governo parece ter iniciado uma operação para me apagar. O trabalho que eu fazia com dedicação, reconhecido pela população, foi retirado de mim sem explicação”, afirma.
Afastamento de funções e perda de visibilidade
As medidas que ele classifica como “operação abafa” teriam começado quando suas ações passaram a ganhar destaque. Cristovaldo era responsável pela distribuição de água potável por meio de carros‑pipa e pelo serviço de patrolamento de estradas da zona rural — atividades que realizava com reconhecimento da comunidade.
Segundo informações, o próprio prefeito e o secretário de Agricultura teriam ordenado que o mesmo fosse afastado dessas funções. O serviço rendia elogios e estava dando visibilidade; de uma hora para outra, “fui tirado sem nenhum motivo oficial”, reclama.
Barreiras para falar com o prefeito
Para tentar entender o que estava acontecendo e reivindicar seus direitos, ele buscou contato direto com o prefeito, mas diz ter encontrado barreiras.
“O subsecretário Matheus não deixa eu chegar perto do prefeito nem falar com ele. É um boicote claro para que eu não tenha voz nem espaço”, acusa.
Pressão política e recusa em apoiar candidatos
Além do afastamento administrativo, Cristovaldo relata pressão no campo político. Segundo ele, está sendo coagido a apoiar, sem qualquer contrapartida, os nomes indicados pela atual gestão para os cargos de senador e governador.
Sua resposta é firme e direta:
“Eu apoio Zé Chico, que tem ajudado o povo de Feira e com quem tenho gratidão. Mas não vou apoiar candidato a senador ou governador que nem sabe da minha existência. Não vou trabalhar e me desgastar de graça para quem não me reconhece”, disparou.
A situação levanta um debate comum na política: o que acontece com aqueles que ajudam a construir vitórias quando o poder muda de lado? Para Cristovaldo das Neves, a resposta, por enquanto, é a sensação de que, após a subida, vem o esquecimento — e, como ele mesmo diz, “além da queda, o tombo”.





