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O enigma de Zé Ronaldo: o líder absoluto que caminha sozinho em Feira de Santana — nem Flávio, nem Lula

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Quem é o presidente de Zé Ronaldo? Essa pergunta começa a ecoar nos quatro cantos de Feira de Santana e revela muito mais do que uma simples curiosidade eleitoral — aponta para um estranho e silencioso espetáculo político que se desenrola na segunda maior cidade da Bahia.

O prefeito José Ronaldo, líder incontestável dos últimos trinta anos na cidade que soma mais de 430 mil eleitores, vive hoje uma aparente contradição: é o homem mais poderoso da administração pública, mas na campanha eleitoral parece caminhar cada vez mais só. Embora tenha declarado certa vez que votaria em Flávio Bolsonaro, na prática não tem feito campanha para nenhum candidato à Presidência da República. Boatos apontam que uma recente viagem a Brasília teria selado essa postura de distanciamento — uma “isenção” que deixa a todos a perguntarem: o que foi definido lá?

A frieza também marca a relação com o candidato ao governo do estado, ACM Neto. Tanto que o candidato passou o dia e a noite da última quinta-feira (10) em Feira de Santana, em esforço evidente para tentar reverter um quadro que se desenha vexatório. Os encontros, antes grandes comícios, reduziram-se a pequenas reuniões — verdadeiras moquequinhas. A tentativa de reunir a bancada governista na CDL terminou com um salão vazio e poucas lideranças presentes. O frio da campanha não se reaquece, por mais que Neto insista.

E dentro de sua própria casa política, o quadro é ainda mais intrigante. Zé Ronaldo comanda uma bancada de 17 vereadores na Câmara Municipal, mas ao apoiar Zé Chico — presidente municipal do União Brasil e candidato a deputado federal — praticamente não tem seguidores. Dos 17, apenas um acompanha o prefeito. Para conseguir ao menos essa pequena demonstração de apoio, foi necessária uma manobra: fazer ascender um suplente à Casa Legislativa justamente para que ele pudesse declarar apoio a Zé Chico. É pouco para quem sempre moveu multidões. Ainda que Zé Chico seja do mesmo partido, é também quem, segundo informações, tem sido desvalorizado na distribuição de verbas partidárias — um detalhe que aprofunda ainda mais o enigma.

Enquanto isso, os vereadores governistas que romperam ou seguiram outros caminhos lotam reuniões e arrastam multidões com seus candidatos. Milhares de nomeados e contratados da prefeitura, que em outras campanhas estariam todos mobilizados, hoje não atendem ao chamamento do prefeito. A pergunta que não quer calar: se Zé Ronaldo é o líder absoluto, por que não consegue mobilizar seus? Se é tão forte, por que não assumiu nenhuma campanha presidencial? Por que seus próprios liderados estão em outras trincheiras?

São muitas perguntas sem resposta. O que se vê é um cenário inédito: o grupo político que dominou Feira de Santana por três décadas pode estar prestes a viver o maior vexame eleitoral de sua história. O tempo corre e as urnas estão próximas — e o silêncio que cerca Zé Ronaldo fala mais alto do que qualquer discurso. Resta saber se é estratégia, cálculo ou simplesmente o fim de um ciclo. A resposta virá em outubro. Mas até lá, a cidade segue perguntando: quem é, afinal, o presidente de Zé Ronaldo?

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